Sendo Consumenos em um mundo de calçados descartáveis

calçados duráveis

No fim do ano passado fiz um desafio de que não compraria roupa nova esse ano. Eu tentei esse desafio outras vezes mas nunca dava certo. Até então, esse era o ano em que eu estava mais comprometida e determinada.

Pra ser bem justa e não dizer que eu não comprei nada, esse ano comprei:

  • Um maiô
  • Um biquini
  • Uma blusa, um short e uma calça de academia

E só. Até o momento era apenas isso que eu tinha comprado. Não considero que esses itens furaram o meu desafio, porque são apenas coisas que eu não tinha. Aliás, nesse ano estou super firme na academia e até por isso percebi que as roupas de malhar que eu tinha não eram adequadas. Outro desafio que estou cumprindo. Btw, sem novas roupas de sair, de trabalho, de dormir, de ficar em casa. Nada novo entrou.

Esse desafio a princípio também valia para calçados, até que entra o X da questão:DAckgPGXYAAAEOF

Imagens reais do meu calçado na semana passada.

Quando optei por fazer esse desafio em 2017, era fim de ano em 2016 e eu aproveitei pra comprar calçados novos. Eu já estava na mesma situação que estou hoje e aproveitei as promoções de fim de ano e comprei cinco sapatos novos. Sim, cinco. “Ah, mas você não era minimalista?” “É assim que você é Consumenos?” Nossa, como eu ouvi isso!

Sim, estava no meu propósito de economia, mas eu precisava de calçados. Comprei, teoricamente, de uma marca boa para garantir que seria durável, porque na minha ingenuidade pensei que estava comprando calçados para pelo menos dois anos de uso diário. Ah, os modelos: duas sapatilhas (uma bege, uma nude), essa semi sapatilha marrom aí da foto, uma rasteira vermelha (pra variar e um único calçado de cor) e um mocassim nude para dias mais arrumadinhos. Na teoria, mais do que suficiente pra se compor looks de trabalho, certo?

Seria se a sapatilha preta não tivesse rasgado completamente na costura nos dois primeiros meses de uso, a sapatilha nude foi a próxima a ABRIR na região do bico, essa da foto foi a terceira e agora eu tenho uma sandália rasteira vermelha e o mocassim nude. Mais nenhuma sapatilha, que vamos combinar, é a peça mais coringa de todas e a que mais faz falta.

A minha rotina hoje envolve uma caminhada diária de cerca de 01km todos os dias, isso somando todos os trajetos que faço do ponto de ônibus para o trabalho. Eu não ando de carro, o que me faz acreditar que os calçados femininos são feitos apenas para quem dirige. Quem caminha mais de 200m não pode ter um calçado bonitinho, tem que viver de tênis. Pelo menos é isso que está aparecendo. Ok, amo tênis, mas tem dias quentes, tem dias que não combina com a roupa e tem dias que você quer ficar mais formal, mesmo sem salto, mas está cada vez mais difícil.

Dado o diagnóstico de pessoa com apenas um sapato fechado (o mocassim), me dei a liberdade de furar o desafio de 2017 sem compras para calçados novos. Optei por outro mocassim (só que dessa vez preto), uma bota cano mega curto (para dias mais frios – mas nem tanto – e que também fica legal com jeans) e como estava sem nenhuma sandália rasteira mais aberta ( a vermelha que ainda está sobrevivendo está pertinho de furar), comprei também uma dessas beach slide mas mais estilosinha, que dependendo do dia dá ate pra ir trabalhar. Pronto. Saíram 3, entraram 3. Mas dessa vez sem nenhuma sapatilha porque eu já percebi que elas não foram feitas pro meu pé de ferro.

Encontrar uma marca pra comprar os calçados novos foi outro martírio, eu precisava ter certeza de que era feita de forma justa e que seria durável, DURÁVEL em caixa alta. Afinal, estou completamente FRUSTRADA, também em caixa alta, dos meus calçados durarem três meses. Pedi opiniões em grupos do Facebook e também para conhecidos e a conclusão foi: É muito difícil encontrar marcas éticas para calçados. Até porque, na maioria dos casos encontrei modelos muito alternativos, que apesar de lindos, ficam mais difíceis de serem utilizados no dia a dia, todos os dias, no batidão. E pra usar com apenas alguns tipos de roupa, é melhor nem comprar. Procurei versatilidade nos novos calçados também.

Em resumo, para meu uso diário tenho atualmente:

  • Um tênis branco (maravilhoso e combina com tudo)
  • Sandália vermelha (quase rasgando)
  • Mocassim nude
  • Mocassim preto
  • Bota curtinha caramelo
  • Chinelo tipo beach slide na cor preta

Mais do que suficiente, né?

Quando a sandália vermelha terminar de rasgar não terei mais nenhum calçado colorido.

Até o fim do ano vamos descobrir se foi suficiente mesmo e passaram no teste de qualidade de quem anda a pé e PRECISA de calçados bons. Já abandonei o uso de sapatilha por pura frustração (e porque meu dinheiro não é capim). Espero não ter que abandonar o mocassim também.

E o pior é que além de me sentir lesada como consumidora, ter que gastar com algo fora do meu orçamento, ainda fico pensando na quantidade de lixo sendo gerada, na matéria-prima usada e no desperdício de modo geral que ocorre quando você compra algo e ele não dura. É prejuízo atrás de prejuízo.

Acontece algo parecido com vocês? Qual item que vocês se sentiram frustrados depois de comprar porque não durou nada? Quero saber! E se tiverem marcas boas e éticas de calçados pra indicar, aceito as indicações!

Beijos

 

ps.: depois que o post já estava pronto e publicado lembrei de um tênis vermelho que comprei num bazar de usados em 2012 por R$15 e que até hoje está aqui e maravilhoso, então quando a sandália vermelha se for, o tênis vai ser meu último calçado colorido pra contar história.

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