Resenha do livro Menos É Mais – Francine Jay

Menos é mais

Não é de agora que o livro Menos é Mais está sendo um dos mais falados na área minimalista. Desde que foi lançado causou um grande burburinho e se tornou uma obrigatoriedade para quem conhecer mais o assunto. Mas será que é bom mesmo? Nessa resenha vou deixar as minhas impressões sobre o livro.

Comprei a versão em ebook há aproximadamente dois meses, mas só agora consegui ler. Apesar de já ter várias resenhas  em texto e em vídeo sobre este livro, decidi ignorar todas as publicações que falassem do Menos é Mais, assim, evitarei que a minha resenha tivesse, mesmo que de forma inconsciente, a opinião de outra pessoa.

Opinião geral sobre o Menos é Mais

De modo geral achei esse livro bem completo. Por ter comprado a versão digital e o kindle mostrar as páginas em porcentagens, não sei muito bem a quantidade de páginas do livro, mas como li bem rápido e os capítulos são bem curtinhos, a leitura fluiu muito bem em todos os momentos. Quando eu digo que Menos é mais é um livro completo, é porque ele não se prende somente a aura mística do minimalismo e de como é bom viver com pouco. Ele fala sobre isso, mas também tem a parte prática, com dicas de organização para cada cômodo.

Dividido em quatro partes: Filosofia, Os Dez Passos, Cômodo por Cômodo e Estilo de vida, é como se você fosse primeiro preparado para entender a importância de todo o processo, para só depois por a mão na massa (no destralhe). O que aliás, faz muito sentido. Porque deixa de ser somente um processo de organização para algo com um propósito muito maior.

Parte 1: Filosofia

Nessa primeira parte, e que eu considero a mais importante do livro, Francine Jay fala muito sobre o que é o minimalismo – e o que ele não é, como por exemplo à associação que fazemos com este estilo de vida e lofts multimilionários –  e principalmente sobre a relação que temos com as nossas coisas. Aliás, eu gostaria de contar quantas vezes a palavra ~coisas~ é utilizada nessa parte do livro. A repetição se faz necessária dentro do contexto do acúmulo e serve para nos mostrar o óbvio: coisas são apenas coisas e não devem nos dominar. 

Algo interessante que ela cita nessa parte é sobre como cada coisa que temos não vem sozinha. Ela demanda tempo de pesquisa, economia, compra, manutenção, peças, limpeza, caixas de armazenamento. E é aí que as coisas começam a se multiplicar e quando vemos já perdemos o controle de tudo que temos dentro de casa.

A autora também nos provoca com vários joguinhos mentais que podem parecer bobos ao primeiro olhar, mas fazem muito sentido se realmente forem aplicados. Por exemplo: Imagine a sua vida com metade do que você tem, ou imagine se você tivesse que ir pro exterior e teria que levar tudo que tivesse ou então se acontecesse um incêndio e você tivesse que salvar apenas o essencial.

Há também um ponto interessante abordado: as nossas coisas, o que deixamos para trás, tudo isso é parte do nosso legado, gera uma história. Você se lembra de quando cada objeto entrou na sua vida? Porque existiu uma história por trás e nem sempre ela é a queremos deixar de lembrança.

Parte 2: Os dez passos e Parte 3: Cômodos

Os dez passos fazem parte da parte 2 do livro e são o método principal de organização. É hora de começar a por a mão na massa e organizar tudo de acordo com os seguintes tópicos:

  1. Recomece
  2. Tralha, Tesouro, Transferência
  3. Um motivo para cada objeto
  4. Cada coisa em seu lugar
  5. Todas as superfícies vazias
  6. Módulos
  7. Limites
  8. Entra um, sai outro
  9. Restrinja
  10. Manutenção Diária

É inevitável não fazer uma comparação com o método KonMari, da Marie Kondo. Confesso que achei o método KonMari mais prático, afinal, dez passos são muita coisa e pelo menos pra mim fica inviável fazer uma organização completa seguindo os dez passos sem ter que dar uma olhada no livro toda hora, porque é realmente mais difícil de decorar e absorver. No entanto, as pessoas são diferentes e eu acredito sim que para quem precise de instruções mais detalhadas esse método pode ser muito mais eficaz.

Não vou destrinchar aqui tim-tim por tim-tim cada tópico porque a resenha ficaria gigante e também porque eu acredito que você deva ler o livro e tirar as suas próprias conclusões. No mais, se eu pudesse resumir o método eu resumiria nos seguintes passos:

  • Coisas úteis, bonitas e afetivas
    • Sobre como categorizar as coisas que temos em casa
  • Circulo próximo, circulo distante e estoque oculto
    • Como organizar depois de destralhar de acordo com a quantidade de uso
  • Entra um, sai outro
    • Princípio básico do minimalismo
  • Menos um por dia
    • A retirada de um objeto todos os dias

Uma coisa que achei legal é que em todo o momento ela quer transformar o processo de organização e destralhe em algo divertido, em algo bom, ao invés de um fardo desgastante. Também nos sugere ter um olhar positivo em relação ao vazio, ao invés de pensar em algo triste, pensar em um espaço cheio de possibilidades.

Na parte 3 de Menos é mais, há um guia detalhado de como destralhar cada cômodo. Novamente fazendo comparação com a Marie Kondo, que afirma que o ideal é trabalharmos por categorias e não por cômodos, o método da Francine pode ser mais fácil para quem já está acostumado a organizar assim. No entanto, as duas autoras (e eu também) concordam que você deve retirar tudo do seu lugar para depois ir colocando novamente.

Parte 4 – Estilo de vida

Quando eu digo que esse livro é completo, apesar de pequeno, é porque realmente é. No final ela fala sobre o que é chamado de BOP – Bagunça de outras pessoas e nos dá valiosas dicas de como conviver com pessoas não minimalistas e acumuladoras. Durante o período que estive envolvida no minimalismo, notei que esse é um dos maiores problemas que as pessoas enfrentam, inclusive eu enfrento também como falei nesse vídeo sobre o assunto. Francine fala sobre a importância do exemplo mas também sobre como conversar e persuadir quem divide o mesmo espaço que você de maneira calma e sem conflitos.

No final também é falado um pouco sobre os 3R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar e também sobre como comprar de forma mais ética (<3) e combatendo o consumo de produtos que utilizam mão de obra explorada.

Resumindo

Gostei muito do livro. Confesso que não me senti tão impactada como foi ao ler o livro da Marie Kondo, que foi o meu primeiro contato com o minimalismo. Algumas coisas já eram mais óbvias pra mim, mas mesmo assim agregou em outras. Se você quer conhecer o minimalismo, quer destralhar a sua casa e quer ter uma vida mais organizada, pode ir em frente na leitura que vai valer a pena.

E se quiser ver mais sobre o assunto, pode ler os outros artigos do blog ou passar no canal do Youtube.

Até mais 🙂

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