Entenda o que é Lowsumerism

lowsumerism

Se você ainda não  ouviu o termo em lowsumerism em algum lugar, pode ter certeza que ainda ouvirá. O movimento que prega o baixo consumo e estimula a consciência coletiva já deixou de ser tendência, para ser realidade para muitas pessoas. A cada dia que passa, vejo crescendo o número de membros de grupos relacionados ao minimalismo, desapego, trocas de roupas, entre outros. A motivação de cada pessoa eu não sei, mas posso palpitar que muita gente já está percebendo que o desejo de consumir acima de qualquer coisa não está entregando a felicidade prometida.

O termo é uma adaptação de low consumerism (baixo consumo) e envolve questões mais amplas, como a busca por experiências, mudanças de hábitos profundas, economia colaborativa (ou economia compartilhada) e principalmente uma quebra na lógica estabelecida como padrão para a vida em sociedade: o consumismo. Deixamos a era do consumo lá para trás e vivemos na era do consumismo, onde os objetos passam a ter um valor maior do que princípios e valores de muita gente e o planeta, a nossa verdadeira casa, está cada vez mais deixado de lado.

Uma referência no assunto é o documentário produzido pela empresa de pesquisa de tendências e comportamento de consumo Box 1824. The Rise of Lowsumerism é um verdadeiro tapa na cara de todos nós (me incluo muito nesse balaio) que consumimos sem necessidade, desperdiçamos recursos e estamos destruindo o planeta.

O vídeo aponta 6 principais fases em um período curto de tempo e que são responsáveis pelo nosso comportamento de consumo atualmente:

1890 – O crescimento do consumo: Este foi o período em que as pessoas começaram a ser encorajadas pela indústria a comprarem cada vez mais, assim, haveria um aumento da demanda, que levaria a uma maior produção e consequentemente, aumento de lucros.

1920 – Crédito e Propaganda: A competição crescente entre as indústrias fez surgir um boom que impulsionou a publicidade, onde o lema era “quem aparece mais, vende mais” e ao mesmo tempo surgiu o crédito com o seu discurso de “compre agora, pague depois”. Percebeu alguma semelhança com os dias atuais?

1950 – O consumo do sonho de vida americano: É neste período que  surge aquele modelo de família americana que estamos acostumados a ver nos filmes da sessão da tarde. Uma casa grande no subúrbio, o carro, as crianças e uma cerca branca. Era pregado que “o trabalho duro pode levar a um estilo de vida confortável”. E um estilo de vida confortável = consumir sem preocupação

1980 – Consumo individualista: Era a hora de atender desejos cada vez mais específicos, onde a individualidade de cada pessoa era explorada.

1990 – A era do consumismo: Surgiram os primeiros alertas de ONGs ambientais sobre os riscos do consumismo mas, é claro, não foi dada muita importância a isso. Havia cada vez mais o incentivo ao descartável, ao uso de mão de obra barata. A tecnologia começou a evoluir de forma mais rápida do que tudo que havíamos conhecido até então e  se deu o início da busca constante pelo último gadget da moda. A mídia começa a alertar sobre os sintomas negativas de se comprar em excesso e a ansiedade causada pelo consumo cresce cada vez mais.

2010 – Economia compartilhada: As pessoas nestes período começaram a colocar o acesso acima da posse. Os serviços de streaming de música e vídeo se popularizam cada vez mais, bem como empresas como Uber, AirBnB e BlaBlaCar se tornam as primeiras escolhas de muitos consumidores. É importante frisar que não há uma redução do desejo de consumo, mas sim um menor desejo de possuir. 

“O consumo é um ciclo vicioso onde tanto a indústria quanto o consumidor tem a sua parcela de responsabilidade e não é comprar um produto com um selo verde que vai resolver o problema”

O documentário aponta também que somente nas ultimas três décadas, um terço do recursos naturais da terra foram consumidos. É um número alarmante e que por si só já justificaria uma redução bruta no consumo desenfreado que estamos vivendo.  Mas se ele por si só não for suficiente, vamos pensar na promessa básica de cada compra: a felicidade. Consumimos porque nos sentimos poderosos, satisfeitos, invencíveis……… pelo menos até a fatura do cartão de crédito chegar. “Compre e seja feliz” é uma ilusão gigante e muita gente ainda não percebeu isso. Vivem ansiosos, gastando mais do que podem, endividados e mesmo assim, não conseguem parar de comprar. Segundo o vídeo, toda mudança precisa começar em algum lugar e neste caso, o lugar certo é a nossa consciência.

Por isso, antes de comprar alguma coisa nova, é sugerido que você pense em 7 coisas principais. A minha dica é que você deixe isso salvo no seu celular, no bloco de notas, em um papelzinho na carteira ou em qualquer outro lugar que você tenha acesso na hora de efetuar uma compra. Pense em todas as questões e avalie se realmente irá valer a pena.

  1. Você realmente precisa disso?
  2. Você pode pagar por isso?
  3. Você não está querendo ser incluído ou afirmar sua personalidade?
  4. Você sabe a origem desse produto e para onde ele vai depois?
  5. Você não está sendo iludido pela publicidade e branding?
  6. Você acha que essa compra prejudica o planeta? – mais importante
  7. Quantas dessas compras você acha que o planeta consegue suportar?

Para quem está tentando praticar o consumo consciente mas as vezes esbarra em limitações e recaídas (olha euzinha aqui) existem três dicas importantes:

  1. Sempre pense antes de comprar
  2. Busque alternativa de menor impacto para o meio ambiente – trocar/consertar/fazer
  3. Viva somente com o que é necessário (a mais difícil, mas a mais recompensadora <3)

Resumidamente, praticar o lowsumerism é ser mais consciente e consumir menos. O documentário aponta algo super importante para a nossa reflexão: “A terra é a nossa casa e não um gigante shopping center.” A partir de agora, vamos fazer um desafio? Vamos contribuir com um mundo melhor, fazendo a nossa parte e se rendendo cada vez menos a liquidações e compras de escape emocional. Eu prometo que o resultado será recompensador.

 

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